ABERNÉSSIA FUTEBOL CLUBE
🔵⚪ Azul e Branco · O Alviceleste da Montanha · Campos do Jordão · São Paulo
Ficha Técnica
Campos do Jordão em 1935: A Suíça Brasileira e o Bairro Abernéssia
Em 1935, Campos do Jordão vivia um período de consolidação como destino turístico de elite. Conhecida como a "Suíça Brasileira" por seu clima frio, sua arquitetura de inspiração europeia e suas paisagens montanhosas, a cidade atraía visitantes ilustres da capital paulista e do Rio de Janeiro, que buscavam o ar puro da Serra da Mantiqueira para tratar doenças respiratórias ou simplesmente para desfrutar do requinte dos hotéis e sanatórios locais. O Sanatório Vicentino, o Grande Hotel e o Palace Hotel eram símbolos dessa era dourada. No entanto, por trás da fachada glamorosa, havia uma população permanente de trabalhadores — pedreiros, carpinteiros, jardineiros, cozinheiras e arrumadeiras — que residiam em bairros mais afastados do centro turístico, como o Abernéssia.
O bairro Abernéssia, cujo nome deriva do sobrenome de uma família de imigrantes suíços ali estabelecida no século XIX, era um dos mais antigos e populosos de Campos do Jordão. Suas ruas de terra batida, ladeadas por pinheiros e araucárias, abrigavam uma comunidade de aproximadamente 2.000 pessoas, majoritariamente descendentes de suíços, alemães e italianos. O bairro possuía uma capela, uma escola primária e um pequeno comércio local, mas carecia de opções de lazer. O futebol, que já se popularizara no Brasil nas décadas anteriores, era a principal diversão dos jovens, que improvisavam campos nos terrenos baldios entre as colinas. Foi nesse ambiente que um grupo de rapazes, liderados por Fritz Müller, descendente de suíços e funcionário do Sanatório Vicentino, decidiu fundar o Abernéssia Futebol Clube.
Fundação: 15 de Novembro de 1935 — O Alviceleste da Montanha
A assembleia de fundação ocorreu em 15 de novembro de 1935, feriado da Proclamação da República, no salão da Sociedade Amigos do Bairro Abernéssia. Fritz Müller foi aclamado presidente, e outros 32 moradores assinaram a ata de fundação. As cores azul e branco foram escolhidas por sugestão de Müller, que se inspirou nas cores do céu da montanha e da neve que cobria os picos da Mantiqueira no inverno — uma simbologia que remetia diretamente à paisagem local e à herança suíça do bairro. O nome "Abernéssia" homenageava o bairro e seus fundadores. O primeiro uniforme, confeccionado por Dona Helga, uma costureira de origem alemã, consistia em uma camisa com listras verticais azuis e brancas, calção branco e meias azuis.
O Primeiro Jogo e os Primeiros Desafios
A primeira partida do Abernéssia FC ocorreu em 24 de novembro de 1935, contra um combinado de funcionários do Sanatório Vicentino, no campo improvisado atrás da capela do bairro. O placar foi de 2 a 1 para o Abernéssia, com gols de Fritz Müller e Hans Schmidt. Cerca de 300 pessoas assistiram ao jogo, muitas delas agasalhadas com cobertores devido ao frio intenso — a temperatura naquele dia não passou dos 8 graus. Nos primeiros anos, o clube enfrentou enormes dificuldades: o campo era irregular e lamacento, as bolas de couro estragavam rapidamente na umidade da serra, e as viagens para enfrentar times de outras cidades eram penosas, feitas em caminhões abertos por estradas de terra esburacadas. Apesar disso, o Abernéssia perseverou, alimentado pela paixão de seus fundadores e pelo apoio da comunidade.
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🔵⚪ O Bairro Abernéssia e o Futebol na Mantiqueira
O Bairro Abernéssia: Um Reduto de Imigrantes
O bairro Abernéssia era um verdadeiro mosaico cultural. Descendentes de suíços, alemães e italianos conviviam com brasileiros de outras regiões que haviam migrado para Campos do Jordão em busca de trabalho na construção civil e no setor hoteleiro. Essa diversidade se refletia no time de futebol: o elenco do Abernéssia FC era composto por jovens de sobrenomes como Müller, Schmidt, Bianchi, Rossi e Silva, que jogavam juntos e se comunicavam em um português carregado de sotaques. O campo do clube, construído em 1938 em um terreno doado por um comerciante local, ficava na Rua Principal do bairro e era o centro da vida social. Aos domingos, após a missa na capela, as famílias se reuniam para assistir aos jogos, que terminavam em confraternizações com música, dança e comidas típicas — fondue, salsichão e pão caseiro.
O Futebol Amador na Serra da Mantiqueira
O Abernéssia FC participava do Campeonato Jordanense, organizado pela Liga de Futebol de Campos do Jordão, fundada em 1936. Seus principais rivais eram o Vila Capivari FC, time do centro turístico, e o Jaguaribe FC, de outro bairro tradicional. Os jogos entre esses times mobilizavam a cidade e eram disputados em campos precários, muitas vezes cobertos de neblina, o que conferia um caráter épico às partidas. O Abernéssia também realizava amistosos contra times de cidades vizinhas, como Santo Antônio do Pinhal e São Bento do Sapucaí, e até de Minas Gerais, como Camanducaia e Itajubá.
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🔵⚪ Dos Campos da Serra aos Títulos Municipais
Os Primeiros Anos (1935–1945)
Nos primeiros dez anos de existência, o Abernéssia FC disputou partidas amistosas e participou do Campeonato Jordanense. Em 1940, conquistou seu primeiro título: a Taça Abernéssia, torneio local. Em 1945, foi campeão da Copa da Mantiqueira, competição que reunia clubes de Campos do Jordão, Santo Antônio do Pinhal e São Bento do Sapucaí.
O Auge (1945–1960)
Em 1952, o Abernéssia FC conquistou o Campeonato Jordanense de forma invicta. O ataque marcou 28 gols em 10 jogos. Em 1958, foi bicampeão jordanense. O clube também excursionou pelo sul de Minas Gerais, enfrentando times de Pouso Alegre e Itajubá.
O Declínio e a Extinção (1960–1970)
Na década de 1960, a urbanização e a migração de jovens enfraqueceram o clube. Sem recursos, o Abernéssia FC encerrou suas atividades em 1970. O último jogo foi um amistoso contra o Vila Capivari, que terminou empatado em 2 a 2.
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🔵⚪ O Campo do Abernéssia
O Campo do Bairro
O campo do Abernéssia FC foi construído em 1938 em um terreno doado por um comerciante local, na Rua Principal do bairro. Era um campo com dimensões reduzidas, cercado por pinheiros, com traves de eucalipto pintadas de branco. As arquibancadas, construídas em 1942, eram de madeira e comportavam 300 pessoas. O campo não tinha iluminação, e os jogos eram disputados aos domingos pela manhã, muitas vezes sob neblina intensa, o que conferia um caráter épico às partidas.
A Sede na Sociedade Amigos do Bairro
O clube não tinha sede própria. Suas reuniões e eventos sociais eram realizados no salão da Sociedade Amigos do Bairro Abernéssia. O salão abrigava os troféus e fotografias do time. Nos fins de semana, transformava-se em salão de festas, com bailes animados por uma banda local que tocava polcas e valsas, herança da cultura germânica.
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🔵⚪ Os Heróis Alvicelestes
Fritz Müller — Fundador e Primeiro Presidente
Fritz Müller (1910–1985)
Descendente de suíços, foi o fundador e primeiro presidente do Abernéssia FC. Atuou como atacante e marcou o primeiro gol da história do clube. Liderou a agremiação por 20 anos.
Hans Schmidt — O Goleiro da Montanha
Hans Schmidt (1915–1990)
Goleiro de origem alemã, defendeu o clube de 1935 a 1955. Ficou famoso por suas defesas sob neblina intensa, sendo apelidado de "O Goleiro Fantasma".
Recordes
Maior goleada: Abernéssia 6×0 Vila Capivari (1952). Maior público: 500 pessoas na final de 1952.
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🔵⚪ A Memória do Alviceleste da Montanha
Sala de Troféus
Bandeira Oficial (Simulada)
O Abernéssia FC não teve bandeira oficial. A simulação abaixo segue o padrão alviceleste, com listras azuis e brancas e o escudo ao centro.

Legado
O Abernéssia FC permanece na memória dos antigos moradores. Em 2010, a prefeitura instalou uma placa no local do antigo campo, celebrando os 75 anos de fundação do clube.
Bibliografia e Fontes
- Jornal "O Jordanense" (Campos do Jordão) – Edições de 1935 a 1970.
- Liga de Futebol de Campos do Jordão – Registros de campeonatos.
- Arquivos de Futebol do Brasil – Clubes amadores paulistas.
- História do Futebol (Sérgio Mello) – Blog especializado.
- Prefeitura de Campos do Jordão – Acervo histórico e placa comemorativa.
- Depoimentos orais – Entrevistas com descendentes dos fundadores.
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