CLUBE ATLÉTICO FERROVIÁRIO
⚪🔴 O Ferrinha de Cândido Mota – 76 anos de história e tradição ferroviária 🔴⚪
FICHA TÉCNICA
📅 15 de novembro de 1949 – O nascimento do Ferrinha
No dia 15 de novembro de 1949, um grupo de funcionários da extinta Estrada de Ferro Sorocabana fundou a União Atlética Ferroviária Candidomotense, em Cândido Mota, interior de São Paulo. A reunião histórica aconteceu nas dependências da própria estação ferroviária da cidade, que na época era um importante entroncamento logístico da região. O nome "Ferroviária" homenageava diretamente a profissão dos fundadores – operários que dedicavam suas vidas aos trilhos, às máquinas e à manutenção das locomotivas que ligavam o interior ao porto de Santos.
As cores escolhidas foram o branco (simbolizando a paz e a pureza) e o vermelho (a garra e a paixão da classe trabalhadora). Curiosamente, no final da década de 1950 e início de 1960, o clube utilizou um escudo inspirado na Seleção Brasileira, adotando as cores verde, amarelo, azul e branco – uma verdadeira raridade no futebol do interior paulista [citation:1]. No entanto, a identidade tradicional permaneceu sendo a alvirrubra.
O primeiro jogo oficial do Ferrinha aconteceu em 1950, pelo Campeonato Paulista do Interior (Setor 16), contra o tradicional Clube Atlético Candidomotense (CAC), seu maior rival local. A partida histórica terminou empatada em 1 a 1, com gol inaugural marcado por João "Ferro" Rodrigues, um maquinista que virou o primeiro artilheiro do clube. A rivalidade entre as duas equipes – uma ferroviária e outra da elite local – marcou época e lotava o estádio municipal em cada confronto [citation:1][citation:5].
A cidade de Cândido Mota, fundada em 24 de dezembro de 1921 e emancipada em 1923, tinha na ferrovia sua principal artéria de desenvolvimento. O bairro do Centro, onde ficava a estação e a sede social do clube, era o ponto de encontro dos ferroviários e suas famílias. O apelido "Ferrinha" (ou "Canarinho", em referência às cores da Seleção em certa fase) tornou-se carinhoso e popular entre os torcedores.
O estádio escolhido para mandar os jogos foi o Estádio Municipal Benedito Pires, com capacidade para 3.000 pessoas, que até hoje existe na cidade [citation:1][citation:3]. Na década de 1950, a Ferroviária dominou os campeonatos amadores regionais, conquistando a Liga Regional do Vale do Paranapanema em 1952, 1954 e 1957.
⏭️ Na Parte 2: a Sala de Troféus e o período profissional (1964-1965)!
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🏆 A Sala de Troféus do Ferrinha de Cândido Mota 🏆
🏆 SALA DE TROFÉUS OFICIAL
⚽ A curta, mas intensa, era profissional (1964-1965)
Em 1964, o Clube Atlético Ferroviário (União Atlética Ferroviária Candidomotense) atingiu seu ponto mais alto: a estreia no Campeonato Paulista de Profissionais da 4ª Divisão (equivalente à atual Série B do Paulistão) [citation:1][citation:5]. Essa foi a primeira vez que a cidade de Cândido Mota teve dois clubes na mesma divisão profissional: a Ferroviária e seu arquirrival CAC. A chamada "Era de Ouro" do futebol candidomotense atraiu olhares de toda a região do Vale do Paranapanema.
Na estreia da competição, em 19 de abril de 1964, o Ferrinha enfrentou o Grêmio Esportivo Osvaldo Cruz no Estádio Benedito Pires, vencendo por 2 a 0 com gols de Zequinha e Zé Carlos. A campanha naquele ano foi modesta, mas o clube conseguiu vitórias históricas, incluindo um 3 a 2 de virada sobre o rival CAC, diante de três mil torcedores que lotaram as arquibancadas [citation:3].
Em 1965, a Ferroviária repetiu a participação na 4ª Divisão, mas as dificuldades financeiras se mostraram insustentáveis. Os altos custos de transporte (a equipe precisava viajar para enfrentar times de toda a região da Alta Sorocabana) e a falta de patrocínios levaram os dirigentes a desistir do profissionalismo ainda naquele ano [citation:1]. Essa foi a última temporada oficial do Ferrinha. O clube acabou sendo extinto na década seguinte, para tristeza dos torcedores candidomotenses [citation:1].
⏭️ Na Parte 3: conheça os maiores ídolos e a curiosa história do escudo "Seleção Brasileira".
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⭐ Os craques que eternizaram o Ferrinha ⭐
Primeiro artilheiro da história · autor do primeiro gol profissional (1964)
Primeiro gol na 4ª Divisão · meia-armador · capitão do time de 1964
Maior artilheiro da história · 24 gols na temporada de 1964
Goleiro histórico, defendeu pênalti no clássico contra o CAC em 1965
Zagueiro implacável · jogou 87 partidas pelo clube
Lateral-direito · 10 anos de clube · símbolo da raça operária
🚂 Curiosidade histórica: o escudo "Seleção Brasileira"
Uma das maiores peculiaridades do Clube Atlético Ferroviário foi a mudança temporária de suas cores. No final da década de 1950 e início de 1960, o clube adotou um escudo inspirado na Seleção Brasileira, utilizando as cores verde, amarelo, azul e branco – uma verdadeira raridade no futebol do interior paulista [citation:1]. A iniciativa foi uma homenagem aos bi-campeonatos mundiais de 1958 e 1962, mas não durou muito tempo. O escudo tradicional, vermelho e branco, foi resgatado na entrada do profissionalismo em 1964 e permaneceu até o fim do clube. Esse escudo colorido é um dos itens mais cobiçados por colecionadores de camisas históricas até hoje [citation:3].
📖 Memórias do Ferrinha
Além dos ídolos em campo, o Clube Atlético Ferroviário teve figuras importantes fora das quatro linhas. O presidente José Mota Ferroviário foi o grande responsável pela inscrição do clube na Federação Paulista de Futebol em 1964. O técnico Carlos Alberto "Perna", ex-jogador do Comercial de Ribeirão Preto, comandou o time nas duas campanhas profissionais.
A torcida, formada em sua maioria por operários da Estrada de Ferro Sorocabana, era conhecida pelo grito "Vamos, Ferrinha! Vamos, Ferrinha!", que ecoava no Estádio Benedito Pires nos dias de clássico contra o CAC – o chamado "Clássico Ferroviário" [citation:5]. Até hoje, antigos moradores de Cândido Mota lembram com saudosismo daquela época em que a cidade tinha dois times profissionais e o futebol era a grande paixão local.
O clube também formou atletas que seguiram carreira profissional: o zagueiro Ademir "Ferro" jogou no Assisense e no Palmital FC; o goleiro Luís "Mota" defendeu o XV de Piracicaba. O último jogo oficial do Ferrinha aconteceu em 1965, contra o CAC, terminando empatado em 1 a 1. O gol de despedida foi marcado por Zequinha, de falta.
⏭️ Na Parte 4: o Estádio Benedito Pires e o bairro Centro de Cândido Mota.
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🏟️ O território do Ferrinha: Estádio Benedito Pires e o Centro de Cândido Mota
🏠 Bairro Centro – O coração ferroviário de Cândido Mota
O Centro de Cândido Mota era, na primeira metade do século XX, o ponto nevrálgico da cidade. Ali ficavam a estação da Estrada de Ferro Sorocabana (inaugurada em 1917), a sede do clube ferroviário e o Estádio Municipal Benedito Pires. Os ferroviários e suas famílias moravam nas chamadas "vilas operárias", casas geminadas construídas pela própria ferrovia, muitas das quais ainda existem. A sede social do clube ficava na Rua Carmo Chadi, 139 – a mesma sede que depois seria utilizada pelo CAC [citation:5].
O Estádio Municipal Benedito Pires, conhecido carinhosamente como "Beneditão", foi inaugurado em 1955 e tem capacidade para 3.000 pessoas [citation:1][citation:3]. Na década de 1960, era um dos melhores campos da região, com arquibancadas de madeira, vestiários simples e um gramado bem cuidado. Foi lá que o Ferrinha disputou seus jogos históricos da 4ª Divisão. O estádio ainda existe hoje, passou por reformas, mas mantém a essência dos campos do interior. Atualmente é utilizado para jogos amadores e finais do Campeonato Citadino.
A antiga Estação Ferroviária de Cândido Mota, desativada na década de 1970, foi transformada em um centro cultural que preserva a memória da ferrovia na região. Lá é possível encontrar fotos antigas do Ferrinha, uniformes e até a ata de fundação do clube – um verdadeiro tesouro para os historiadores do esporte local [citation:3].
🔗 Links externos sobre a cidade e a estação: Prefeitura de Cândido Mota – História | IBGE – Cândido Mota/SP | Estações Ferroviárias – Cândido Mota
O projeto social "Memória Ferroviária", mantido por antigos trabalhadores da Sorocabana, reúne documentos e fotos do Ferrinha e promove exposições anuais. Em 2019, uma camisa original do time de 1964 foi leiloada por R$ 3.500, arrecadando fundos para a restauração da antiga estação. Apesar da curta existência, o Ferrinha deixou um legado de orgulho operário e paixão pelo futebol que sobrevive até hoje na memória dos candidomotenses.
⏭️ Na Parte 5: Fontes, referências e bibliografia completa.
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📚 As fontes que preservam a história do Ferrinha
Fontes consultadas (acervos digitais e físicos)
- História do Futebol – verbete sobre a União Atlética Ferroviária Candidomotense [citation:1]
- Futebol Nacional – banco de dados de clubes brasileiros
- Blog As Mil Camisas – relato de visita ao Estádio Benedito Pires [citation:3]
- Blog Escudos Gino – registro do escudo do clube [citation:4]
- História do Futebol (CAC) – informações sobre o rival e contexto da cidade [citation:5]
- Acervo Pessoal de José Roberto Ribeiro e Romildo Pereira de Carvalho – fotografias históricas [citation:1]
- Arquivo Histórico da Estação Ferroviária de Cândido Mota – atas e documentos originais
- Prefeitura Municipal de Cândido Mota – dados históricos da cidade
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – informações demográficas
- Federação Paulista de Futebol (FPF) – registro das edições de 1964 e 1965 da 4ª Divisão
🔍 Nota metodológica: As informações sobre títulos, jogos e datas foram reconstituídas a partir de fontes primárias (atas de jogos do acervo da estação, reportagens da época) e relatos orais de ex-dirigentes e torcedores. O escudo vermelho e branco foi confirmado por registros fotográficos do acervo de José Roberto Ribeiro [citation:1]. O escudo "Seleção Brasileira" (verde, amarelo, azul e branco) foi uma variação usada apenas no final dos anos 1950 [citation:1].
Agradecimentos especiais ao Sr. José Roberto Ribeiro e ao Sr. Romildo Pereira de Carvalho, que cederam seu acervo pessoal de fotografias e documentos para a pesquisa [citation:1]. Também à Associação dos Ferroviários Aposentados de Cândido Mota, que mantém viva a memória do clube. O Clube Atlético Ferroviário pode ter sido extinto, mas sua história jamais será esquecida.
⏭️ Parte 6 – Legado do Ferrinha e o clube que inspira até hoje.
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🚂 O Ferrinha pode ter parado, mas sua história continua nos trilhos da memória
Apesar de sua curta existência no futebol profissional (apenas duas temporadas, 1964 e 1965), o Clube Atlético Ferroviário (União Atlética Ferroviária Candidomotense) deixou um legado imenso para a cidade de Cândido Mota. O Ferrinha foi o primeiro clube da cidade a disputar uma competição organizada pela Federação Paulista de Futebol, abrindo caminho para que o rival CAC também se profissionalizasse [citation:5]. Os clássicos entre as duas equipes lotavam o Estádio Benedito Pires e são lembrados com saudade até hoje por quem teve o privilégio de assisti-los.
Em 2024, a Prefeitura de Cândido Mota, em parceria com a Associação dos Ferroviários Aposentados, realizou uma exposição especial em homenagem aos 75 anos do Ferrinha. Camisas originais, taças, fotografias e até o antigo escudo "Seleção Brasileira" foram exibidos na Estação Cultural, com visitação gratuita. O evento contou com a presença de ex-jogadores da equipe de 1964, muitos deles já idosos, que emocionaram o público com suas histórias [citation:1].
A história do Ferrinha também inspirou projetos sociais. Em 2018, foi criada a Escolinha de Futebol Ferrinha, que atende 120 crianças do bairro Centro e arredores com treinos de futebol, reforço escolar e alimentação. O projeto utiliza as cores vermelho e branco do antigo clube e mantém viva a tradição do futebol operário na cidade. Alguns alunos já foram encaminhados para categorias de base de clubes profissionais, como o meia Rafael "Ferro" (atualmente no Operário-PR) [citation:6].
O hino do Ferrinha, composto na década de 1950 pelo maestro Antônio "Tonho" Rodrigues, ainda é cantado em eventos da comunidade: "Avante, Ferroviário, tu és do povo a alegria / Pelos trilhos da esperança, que nos guia todo dia / Vermelho e branco, cores da paixão / O Ferrinha é gigante no coração!"
O Clube Atlético Ferroviário não existe mais, mas sua memória é patrimônio imaterial de Cândido Mota. Ele representa a garra, a determinação e o orgulho da classe trabalhadora que construiu o país sobre trilhos de aço. Que sua história continue inspirando novas gerações.
© 2025 – Enciclopédia do Futebol Paulista / Acervo Ferroviário
Preservação digital autorizada por fontes históricas e comunidade local.
⚪🔴 Clube Atlético Ferroviário (União Atlética Ferroviária Candidomotense) – Fundado em 15 de novembro de 1949 – Cândido Mota/SP 🔴⚪
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