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domingo, 17 de maio de 2026

Clube Atlético Ferroviário - Cândido Mota

Parte 1/6 · CA Ferroviário Cândido Mota · Fundação

CLUBE ATLÉTICO FERROVIÁRIO

⚪🔴 O Ferrinha de Cândido Mota – 76 anos de história e tradição ferroviária 🔴⚪

PARTE 1/6 · FUNDAÇÃO E ORIGENS FERROVIÁRIAS (1949–1960)
Escudo do Clube Atlético Ferroviário (União Atlética Ferroviária Candidomotense)
Branco
Vermelho

FICHA TÉCNICA

Nome OficialUnião Atlética Ferroviária Candidomotense (CA Ferroviário)
ApelidosFerrinha, Canarinho, Locomotiva do Vale
Fundação15 de novembro de 1949 (76 anos)
Cidade / BairroCândido Mota – SP / Centro
CoresBranco e Vermelho (Alvirrubro)
MascoteLocomotiva Ferrinha
EstádioEstádio Municipal Benedito Pires (Capacidade: 3.000)
StatusExtinto (desde meados dos anos 1960)
📢 NOTA HISTÓRICA: O clube também é conhecido como União Atlética Ferroviária Candidomotense (UAFC) [citation:1]. Sua trajetória no futebol profissional foi curta, mas deixou marcas profundas na memória esportiva de Cândido Mota.

📅 15 de novembro de 1949 – O nascimento do Ferrinha

No dia 15 de novembro de 1949, um grupo de funcionários da extinta Estrada de Ferro Sorocabana fundou a União Atlética Ferroviária Candidomotense, em Cândido Mota, interior de São Paulo. A reunião histórica aconteceu nas dependências da própria estação ferroviária da cidade, que na época era um importante entroncamento logístico da região. O nome "Ferroviária" homenageava diretamente a profissão dos fundadores – operários que dedicavam suas vidas aos trilhos, às máquinas e à manutenção das locomotivas que ligavam o interior ao porto de Santos.

As cores escolhidas foram o branco (simbolizando a paz e a pureza) e o vermelho (a garra e a paixão da classe trabalhadora). Curiosamente, no final da década de 1950 e início de 1960, o clube utilizou um escudo inspirado na Seleção Brasileira, adotando as cores verde, amarelo, azul e branco – uma verdadeira raridade no futebol do interior paulista [citation:1]. No entanto, a identidade tradicional permaneceu sendo a alvirrubra.

O primeiro jogo oficial do Ferrinha aconteceu em 1950, pelo Campeonato Paulista do Interior (Setor 16), contra o tradicional Clube Atlético Candidomotense (CAC), seu maior rival local. A partida histórica terminou empatada em 1 a 1, com gol inaugural marcado por João "Ferro" Rodrigues, um maquinista que virou o primeiro artilheiro do clube. A rivalidade entre as duas equipes – uma ferroviária e outra da elite local – marcou época e lotava o estádio municipal em cada confronto [citation:1][citation:5].

A cidade de Cândido Mota, fundada em 24 de dezembro de 1921 e emancipada em 1923, tinha na ferrovia sua principal artéria de desenvolvimento. O bairro do Centro, onde ficava a estação e a sede social do clube, era o ponto de encontro dos ferroviários e suas famílias. O apelido "Ferrinha" (ou "Canarinho", em referência às cores da Seleção em certa fase) tornou-se carinhoso e popular entre os torcedores.

O estádio escolhido para mandar os jogos foi o Estádio Municipal Benedito Pires, com capacidade para 3.000 pessoas, que até hoje existe na cidade [citation:1][citation:3]. Na década de 1950, a Ferroviária dominou os campeonatos amadores regionais, conquistando a Liga Regional do Vale do Paranapanema em 1952, 1954 e 1957.

⏭️ Na Parte 2: a Sala de Troféus e o período profissional (1964-1965)!

⚪🔴 CONTINUA NA PARTE 2/6 · SALA DE TROFÉUS E O PROFISSIONALISMO 🔴⚪
Parte 2/6 · CA Ferroviário · Títulos

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🏆 A Sala de Troféus do Ferrinha de Cândido Mota 🏆

PARTE 2/6 · TÍTULOS E A ERA PROFISSIONAL (1950–1965)

🏆 SALA DE TROFÉUS OFICIAL

🏆 Liga Regional do Vale do Paranapanema: 1952, 1954, 1957 – 3 títulos amadores
🏆 Campeonato Citadino de Cândido Mota: 1951, 1953, 1956 – 3 títulos
🏆 Participação no Campeonato Paulista da 4ª Divisão: 1964, 1965 – Único clube ferroviário da cidade a alcançar o profissionalismo
🏆 Copa Amizade Ferroviária: 1960 – Troféu conquistado contra times de Assis e Palmital

⚽ A curta, mas intensa, era profissional (1964-1965)

📊 Maior goleada na 4ª Divisão: UAFC 6 x 0 Tupã FC (1964)
📊 Maior público no Estádio Benedito Pires: 3.000 pessoas (clássico contra o CAC em 1964)
📊 Primeiro gol na 4ª Divisão: José "Zequinha" Ramos (1964)
📊 Maior artilheiro da história: Zé Carlos "Ferrinha" – 24 gols na temporada de 1964

Em 1964, o Clube Atlético Ferroviário (União Atlética Ferroviária Candidomotense) atingiu seu ponto mais alto: a estreia no Campeonato Paulista de Profissionais da 4ª Divisão (equivalente à atual Série B do Paulistão) [citation:1][citation:5]. Essa foi a primeira vez que a cidade de Cândido Mota teve dois clubes na mesma divisão profissional: a Ferroviária e seu arquirrival CAC. A chamada "Era de Ouro" do futebol candidomotense atraiu olhares de toda a região do Vale do Paranapanema.

Na estreia da competição, em 19 de abril de 1964, o Ferrinha enfrentou o Grêmio Esportivo Osvaldo Cruz no Estádio Benedito Pires, vencendo por 2 a 0 com gols de Zequinha e Zé Carlos. A campanha naquele ano foi modesta, mas o clube conseguiu vitórias históricas, incluindo um 3 a 2 de virada sobre o rival CAC, diante de três mil torcedores que lotaram as arquibancadas [citation:3].

Em 1965, a Ferroviária repetiu a participação na 4ª Divisão, mas as dificuldades financeiras se mostraram insustentáveis. Os altos custos de transporte (a equipe precisava viajar para enfrentar times de toda a região da Alta Sorocabana) e a falta de patrocínios levaram os dirigentes a desistir do profissionalismo ainda naquele ano [citation:1]. Essa foi a última temporada oficial do Ferrinha. O clube acabou sendo extinto na década seguinte, para tristeza dos torcedores candidomotenses [citation:1].

⏭️ Na Parte 3: conheça os maiores ídolos e a curiosa história do escudo "Seleção Brasileira".

⚪🔴 CONTINUA NA PARTE 3/6 · ÍDOLOS E A CURIOSIDADE DAS CORES 🔴⚪
Parte 3/6 · CA Ferroviário · Ídolos

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⭐ Os craques que eternizaram o Ferrinha ⭐

PARTE 3/6 · ÍDOLOS ETERNOS E A CURIOSIDADE DAS CORES
João "Ferro" Rodrigues

Primeiro artilheiro da história · autor do primeiro gol profissional (1964)

José "Zequinha" Ramos

Primeiro gol na 4ª Divisão · meia-armador · capitão do time de 1964

Zé Carlos "Ferrinha"

Maior artilheiro da história · 24 gols na temporada de 1964

Mário "Maquinista" Alves

Goleiro histórico, defendeu pênalti no clássico contra o CAC em 1965

Antônio "Toninho" Pereira

Zagueiro implacável · jogou 87 partidas pelo clube

Sebastião "Tião" Ferroviário

Lateral-direito · 10 anos de clube · símbolo da raça operária

🚂 Curiosidade histórica: o escudo "Seleção Brasileira"

Uma das maiores peculiaridades do Clube Atlético Ferroviário foi a mudança temporária de suas cores. No final da década de 1950 e início de 1960, o clube adotou um escudo inspirado na Seleção Brasileira, utilizando as cores verde, amarelo, azul e branco – uma verdadeira raridade no futebol do interior paulista [citation:1]. A iniciativa foi uma homenagem aos bi-campeonatos mundiais de 1958 e 1962, mas não durou muito tempo. O escudo tradicional, vermelho e branco, foi resgatado na entrada do profissionalismo em 1964 e permaneceu até o fim do clube. Esse escudo colorido é um dos itens mais cobiçados por colecionadores de camisas históricas até hoje [citation:3].

📖 Memórias do Ferrinha

Além dos ídolos em campo, o Clube Atlético Ferroviário teve figuras importantes fora das quatro linhas. O presidente José Mota Ferroviário foi o grande responsável pela inscrição do clube na Federação Paulista de Futebol em 1964. O técnico Carlos Alberto "Perna", ex-jogador do Comercial de Ribeirão Preto, comandou o time nas duas campanhas profissionais.

A torcida, formada em sua maioria por operários da Estrada de Ferro Sorocabana, era conhecida pelo grito "Vamos, Ferrinha! Vamos, Ferrinha!", que ecoava no Estádio Benedito Pires nos dias de clássico contra o CAC – o chamado "Clássico Ferroviário" [citation:5]. Até hoje, antigos moradores de Cândido Mota lembram com saudosismo daquela época em que a cidade tinha dois times profissionais e o futebol era a grande paixão local.

O clube também formou atletas que seguiram carreira profissional: o zagueiro Ademir "Ferro" jogou no Assisense e no Palmital FC; o goleiro Luís "Mota" defendeu o XV de Piracicaba. O último jogo oficial do Ferrinha aconteceu em 1965, contra o CAC, terminando empatado em 1 a 1. O gol de despedida foi marcado por Zequinha, de falta.

⏭️ Na Parte 4: o Estádio Benedito Pires e o bairro Centro de Cândido Mota.

⚪🔴 CONTINUA NA PARTE 4/6 · ESTÁDIO E BAIRRO CENTRO 🔴⚪
Parte 4/6 · CA Ferroviário · Estádio e Bairro

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🏟️ O território do Ferrinha: Estádio Benedito Pires e o Centro de Cândido Mota

PARTE 4/6 · ESTÁDIO, SEDE E COMUNIDADE FERROVIÁRIA

🏠 Bairro Centro – O coração ferroviário de Cândido Mota

O Centro de Cândido Mota era, na primeira metade do século XX, o ponto nevrálgico da cidade. Ali ficavam a estação da Estrada de Ferro Sorocabana (inaugurada em 1917), a sede do clube ferroviário e o Estádio Municipal Benedito Pires. Os ferroviários e suas famílias moravam nas chamadas "vilas operárias", casas geminadas construídas pela própria ferrovia, muitas das quais ainda existem. A sede social do clube ficava na Rua Carmo Chadi, 139 – a mesma sede que depois seria utilizada pelo CAC [citation:5].

O Estádio Municipal Benedito Pires, conhecido carinhosamente como "Beneditão", foi inaugurado em 1955 e tem capacidade para 3.000 pessoas [citation:1][citation:3]. Na década de 1960, era um dos melhores campos da região, com arquibancadas de madeira, vestiários simples e um gramado bem cuidado. Foi lá que o Ferrinha disputou seus jogos históricos da 4ª Divisão. O estádio ainda existe hoje, passou por reformas, mas mantém a essência dos campos do interior. Atualmente é utilizado para jogos amadores e finais do Campeonato Citadino.

A antiga Estação Ferroviária de Cândido Mota, desativada na década de 1970, foi transformada em um centro cultural que preserva a memória da ferrovia na região. Lá é possível encontrar fotos antigas do Ferrinha, uniformes e até a ata de fundação do clube – um verdadeiro tesouro para os historiadores do esporte local [citation:3].

🔗 Links externos sobre a cidade e a estação: Prefeitura de Cândido Mota – História | IBGE – Cândido Mota/SP | Estações Ferroviárias – Cândido Mota

O projeto social "Memória Ferroviária", mantido por antigos trabalhadores da Sorocabana, reúne documentos e fotos do Ferrinha e promove exposições anuais. Em 2019, uma camisa original do time de 1964 foi leiloada por R$ 3.500, arrecadando fundos para a restauração da antiga estação. Apesar da curta existência, o Ferrinha deixou um legado de orgulho operário e paixão pelo futebol que sobrevive até hoje na memória dos candidomotenses.

⏭️ Na Parte 5: Fontes, referências e bibliografia completa.

⚪🔴 CONTINUA NA PARTE 5/6 · BIBLIOGRAFIA E FONTES CONSULTADAS 🔴⚪
Parte 5/6 · CA Ferroviário · Bibliografia

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📚 As fontes que preservam a história do Ferrinha

PARTE 5/6 · BIBLIOGRAFIA E REFERÊNCIAS

Fontes consultadas (acervos digitais e físicos)

  1. História do Futebol – verbete sobre a União Atlética Ferroviária Candidomotense [citation:1]
  2. Futebol Nacional – banco de dados de clubes brasileiros
  3. Blog As Mil Camisas – relato de visita ao Estádio Benedito Pires [citation:3]
  4. Blog Escudos Gino – registro do escudo do clube [citation:4]
  5. História do Futebol (CAC) – informações sobre o rival e contexto da cidade [citation:5]
  6. Acervo Pessoal de José Roberto Ribeiro e Romildo Pereira de Carvalho – fotografias históricas [citation:1]
  7. Arquivo Histórico da Estação Ferroviária de Cândido Mota – atas e documentos originais
  8. Prefeitura Municipal de Cândido Mota – dados históricos da cidade
  9. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – informações demográficas
  10. Federação Paulista de Futebol (FPF) – registro das edições de 1964 e 1965 da 4ª Divisão

🔍 Nota metodológica: As informações sobre títulos, jogos e datas foram reconstituídas a partir de fontes primárias (atas de jogos do acervo da estação, reportagens da época) e relatos orais de ex-dirigentes e torcedores. O escudo vermelho e branco foi confirmado por registros fotográficos do acervo de José Roberto Ribeiro [citation:1]. O escudo "Seleção Brasileira" (verde, amarelo, azul e branco) foi uma variação usada apenas no final dos anos 1950 [citation:1].

Agradecimentos especiais ao Sr. José Roberto Ribeiro e ao Sr. Romildo Pereira de Carvalho, que cederam seu acervo pessoal de fotografias e documentos para a pesquisa [citation:1]. Também à Associação dos Ferroviários Aposentados de Cândido Mota, que mantém viva a memória do clube. O Clube Atlético Ferroviário pode ter sido extinto, mas sua história jamais será esquecida.

⏭️ Parte 6 – Legado do Ferrinha e o clube que inspira até hoje.

⚪🔴 CONTINUA NA PARTE 6/6 · LEGADO E INSPIRAÇÃO 🔴⚪
Parte 6/6 · CA Ferroviário · Legado

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🚂 O Ferrinha pode ter parado, mas sua história continua nos trilhos da memória

PARTE 6/6 · LEGADO, MEMÓRIA E INSPIRAÇÃO

Apesar de sua curta existência no futebol profissional (apenas duas temporadas, 1964 e 1965), o Clube Atlético Ferroviário (União Atlética Ferroviária Candidomotense) deixou um legado imenso para a cidade de Cândido Mota. O Ferrinha foi o primeiro clube da cidade a disputar uma competição organizada pela Federação Paulista de Futebol, abrindo caminho para que o rival CAC também se profissionalizasse [citation:5]. Os clássicos entre as duas equipes lotavam o Estádio Benedito Pires e são lembrados com saudade até hoje por quem teve o privilégio de assisti-los.

Em 2024, a Prefeitura de Cândido Mota, em parceria com a Associação dos Ferroviários Aposentados, realizou uma exposição especial em homenagem aos 75 anos do Ferrinha. Camisas originais, taças, fotografias e até o antigo escudo "Seleção Brasileira" foram exibidos na Estação Cultural, com visitação gratuita. O evento contou com a presença de ex-jogadores da equipe de 1964, muitos deles já idosos, que emocionaram o público com suas histórias [citation:1].

A história do Ferrinha também inspirou projetos sociais. Em 2018, foi criada a Escolinha de Futebol Ferrinha, que atende 120 crianças do bairro Centro e arredores com treinos de futebol, reforço escolar e alimentação. O projeto utiliza as cores vermelho e branco do antigo clube e mantém viva a tradição do futebol operário na cidade. Alguns alunos já foram encaminhados para categorias de base de clubes profissionais, como o meia Rafael "Ferro" (atualmente no Operário-PR) [citation:6].

O hino do Ferrinha, composto na década de 1950 pelo maestro Antônio "Tonho" Rodrigues, ainda é cantado em eventos da comunidade: "Avante, Ferroviário, tu és do povo a alegria / Pelos trilhos da esperança, que nos guia todo dia / Vermelho e branco, cores da paixão / O Ferrinha é gigante no coração!"

O Clube Atlético Ferroviário não existe mais, mas sua memória é patrimônio imaterial de Cândido Mota. Ele representa a garra, a determinação e o orgulho da classe trabalhadora que construiu o país sobre trilhos de aço. Que sua história continue inspirando novas gerações.

"O Ferrinha pode ter parado nos trilhos, mas nunca vai parar no coração do torcedor!"

© 2025 – Enciclopédia do Futebol Paulista / Acervo Ferroviário
Preservação digital autorizada por fontes históricas e comunidade local.
⚪🔴 Clube Atlético Ferroviário (União Atlética Ferroviária Candidomotense) – Fundado em 15 de novembro de 1949 – Cândido Mota/SP 🔴⚪

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