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domingo, 19 de abril de 2026

RUGGERONE FOOT-BALL CLUB

Ruggerone FC · O Alaranjado da Água Branca · São Paulo/SP

RUGGERONE FOOT-BALL CLUB

🟠🟡 Laranja e Amarelo · O Alaranjado da Água Branca · 1915–1916

Escudo do Ruggerone Foot-Ball Club
Acervo Michael Serra · Livro "125 Anos de História"
Laranja
Amarelo

Ficha Técnica

Nome OficialRuggerone Foot-Ball Club
Fundação1915 (110 anos)
Extinção1916 Extinto
Cidade/BairroSão Paulo – SP (Água Branca)
Cores OficiaisLaranja e Amarelo
EstádioParque Antárctica Paulista (4 jogos registrados)
Participações OficiaisCampeonato Paulista de 1916 (APEA) · 4 competições (ligas menores)
HomenagemEros Ruggerone, aviador italiano

A história do Ruggerone FC: o clube que homenageava um aviador

O Ruggerone Foot-Ball Club foi fundado em 1915 no bairro da Água Branca, na zona oeste da capital paulista. O nome do clube era uma homenagem a Eros Ruggerone, um famoso aviador italiano que viveu no Brasil na década de 1910 e que se tornou um herói para a numerosa colônia italiana de São Paulo. Ruggerone foi um dos pioneiros da aviação no Brasil, realizando voos de demonstração que maravilhavam a população paulistana e alimentavam o sonho da conquista dos ares.

As cores oficiais do clube eram o laranja e o amarelo, uma combinação vibrante e incomum para a época, que o distinguia imediatamente entre as dezenas de agremiações que pontilhavam o futebol paulistano. O escudo original, preservado graças ao trabalho meticuloso de historiadores como Michael Serra e incluído na obra 125 Anos de História – A Enciclopédia do Futebol Paulista, exibe as iniciais "R.F.C." em um design circular que remete aos distintivos dos clubes tradicionais da época.

"O nome do clube é uma homenagem à Eros Ruggerone, famoso aviador italiano que viveu no Brasil na década de 10. O Rugerone era um time da colônia italiana e que disputou um único campeonato em 1916." — Futebol Nacional · Banco de Dados

✈️ Eros Ruggerone: o aviador que inspirou um clube de futebol

Eros Ruggerone foi um dos pioneiros da aviação no Brasil. Italiano de nascimento, ele se estabeleceu em São Paulo na década de 1910 e rapidamente se tornou uma figura conhecida e admirada pela colônia italiana e pela população paulistana em geral. Em uma época em que a aviação ainda engatinhava — o primeiro voo dos irmãos Wright ocorrera apenas em 1903, e Santos Dumont realizara seu histórico voo do 14-Bis em 1906 —, Ruggerone realizava voos de demonstração que atraíam multidões e alimentavam o fascínio popular pela conquista dos ares.

Ruggerone participou de competições e exibições aéreas em São Paulo, tornando-se um símbolo de coragem e modernidade para a comunidade italiana. Sua figura inspirou não apenas a fundação do clube de futebol que levava seu nome, mas também outras homenagens da colônia. O aviador representava o espírito aventureiro e pioneiro que os imigrantes italianos tanto admiravam, e batizar um clube de futebol com seu nome era uma forma de expressar orgulho e identificação com esse ideal.

Infelizmente, os registros detalhados da vida de Eros Ruggerone no Brasil são escassos, e seu paradeiro após a década de 1910 é incerto. Sabe-se que ele continuou envolvido com a aviação e que sua memória permaneceu viva na colônia italiana de São Paulo, a ponto de inspirar a fundação do Ruggerone Foot-Ball Club. O clube, embora efêmero, é um testemunho da admiração que o aviador despertava e da importância dos heróis da aviação no imaginário popular do início do século XX.

⚽ A participação no Campeonato Paulista de 1916

O Ruggerone Foot-Ball Club disputou sua única temporada na elite do futebol paulista em 1916, no campeonato organizado pela Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA). O torneio contou com a participação de 7 equipes: Paulistano (campeão), Palestra Itália (vice), Corinthians, Santos, Ypiranga, AA das Palmeiras e o próprio Ruggerone.

A campanha do Ruggerone foi modesta: o clube terminou na última colocação (7º lugar), com apenas 1 ponto conquistado em 8 jogos, fruto de um empate e sete derrotas. A única partida em que o clube pontuou foi um empate contra o Ypiranga, por 1 a 1, em 16 de julho de 1916. O time sofreu goleadas expressivas, como o 8 a 0 para o Corinthians e o 9 a 1 para o Paulistano, mas também realizou partidas competitivas, como a derrota por 2 a 0 para o Santos e o empate com o Ypiranga.

O artilheiro do Ruggerone naquela temporada foi Ricci, que marcou 2 gols em 8 partidas. A defesa foi o ponto fraco do time, sofrendo 36 gols — a pior defesa do campeonato. Apesar da campanha ruim, a participação do Ruggerone no Paulistão de 1916 foi um feito notável para um clube recém-fundado e formado por imigrantes. O simples fato de disputar a elite do futebol paulista, enfrentando gigantes como Corinthians, Paulistano e Palestra Itália, já representava uma conquista extraordinária.

Segundo o Almanaque do Futebol Paulista, o Ruggerone disputou 4 competições oficiais ao todo, provavelmente contando participações em ligas menores e torneios amadores, além do Campeonato Paulista de 1916. Essas participações adicionais demonstram que o clube, embora de vida curta, teve uma atuação significativa no cenário futebolístico da época.

🏟️ O Parque Antárctica Paulista: palco do Ruggerone

O Ruggerone mandava seus jogos no Parque Antárctica Paulista, o mesmo estádio que, anos mais tarde, se tornaria a casa do Palmeiras. O clube disputou 4 partidas oficiais no estádio, todas válidas pelo Campeonato Paulista de 1916. O Parque Antárctica, inaugurado em 1902 pela Companhia Antarctica Paulista, era um dos principais palcos do futebol paulistano, com capacidade para cerca de 8.000 espectadores na época.

O estádio testemunhou a estreia do Ruggerone no Paulistão, com uma derrota por 3 a 1 para o Ypiranga, e também a histórica goleada de 8 a 0 sofrida para o Corinthians — o segundo maior placar da história do confronto entre as duas equipes, atrás apenas dos 12 a 1 de 1920. O Parque Antárctica foi o palco onde o alaranjado da Água Branca escreveu sua breve, porém significativa, história no futebol paulista.

📜 A extinção

Após a temporada de 1916, o Ruggerone Foot-Ball Club encerrou suas atividades. As razões para a extinção precoce do clube não são totalmente claras, mas provavelmente envolvem a falta de recursos financeiros para manter uma equipe competitiva na elite do futebol paulista, bem como a concorrência com outros clubes da colônia italiana, como o Palestra Itália (que se tornaria um gigante) e o CA Itália. O Ruggerone desapareceu tão rapidamente quanto surgiu, deixando como legado seu escudo alaranjado e amarelo, sua participação no Campeonato Paulista de 1916 e a curiosa homenagem ao aviador Eros Ruggerone.

Sala de Troféus do Ruggerone FC

Embora o Ruggerone Foot-Ball Club não tenha conquistado títulos oficiais, sua participação no Campeonato Paulista de 1916 e seu legado como clube da colônia italiana merecem ser celebrados.

Campeonato Paulista 1916 Participação na elite do futebol paulista
Participações Oficiais 4 competições registradas (APEA e ligas menores)
Homenagem Histórica Único clube brasileiro fundado em homenagem a um aviador
Cores Incomuns Laranja e amarelo · Combinação rara no futebol
Escudo Preservado Acervo Michael Serra · "125 Anos de História"
Clube da Colônia Italiana Representante da numerosa comunidade italiana de São Paulo
Bairro da Água Branca Região histórica do futebol paulistano
Artilheiro: Ricci 2 gols no Campeonato Paulista de 1916

Linha do Tempo do Ruggerone FC

1915
Fundação do Ruggerone Foot-Ball Club no bairro da Água Branca, em homenagem ao aviador italiano Eros Ruggerone.
1916
7 de maio: Estreia no Campeonato Paulista da APEA, com derrota por 3 a 1 para o Ypiranga.
1916
16 de julho: Único ponto conquistado no campeonato: empate em 1 a 1 com o Ypiranga.
1916
Termina o Campeonato Paulista na 7ª e última colocação, com 1 ponto em 8 jogos.
1916
Extinção do clube, logo após o término do campeonato.

A APEA e o futebol paulista nos anos 1910

Para compreender plenamente o contexto em que o Ruggerone Foot-Ball Club esteve inserido, é fundamental conhecer a Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA). Fundada em 1913, a APEA surgiu como uma dissidência da Liga Paulista de Foot-Ball (LPF) e rapidamente se consolidou como a principal entidade organizadora do futebol no estado. Em 1916, a APEA organizou o Campeonato Paulista que contou com a participação do Ruggerone.

O campeonato de 1916 foi um marco na história do futebol paulista. Foi a primeira vez que o Palestra Itália (futuro Palmeiras) disputou a competição, terminando como vice-campeão. O Paulistano, que se tornaria uma dinastia nos anos seguintes, conquistou seu terceiro título paulista. O Corinthians, fundado em 1910, consolidava-se como uma força emergente. E o Santos, que disputaria seu primeiro título apenas em 1935, já mostrava sua força.

O Ruggerone, como estreante e clube da colônia italiana, enfrentou esses gigantes do futebol paulista em igualdade de condições — pelo menos no papel. As goleadas sofridas (8 a 0 para o Corinthians, 9 a 1 para o Paulistano) demonstram a disparidade de forças entre os clubes estabelecidos e os novatos, mas a simples presença do Ruggerone na elite já era um feito notável. O clube representava a paixão da comunidade italiana pelo futebol e o desejo de participar do esporte que se tornava a grande paixão nacional.

Além do Campeonato Paulista, o Ruggerone disputou outras três competições oficiais, provavelmente torneios amadores ou ligas menores. Essas participações adicionais demonstram que o clube, embora efêmero, teve uma atuação significativa no cenário futebolístico da época, contribuindo para a rica tapeçaria do futebol paulistano das primeiras décadas do século XX.

O bairro da Água Branca: berço do Ruggerone

📍 Zona Oeste · São Paulo · Capital

O bairro da Água Branca está localizado na zona oeste de São Paulo, entre os distritos da Lapa e da Barra Funda. Seu nome tem origem no Ribeirão Água Branca, que cortava a região e desaguava no Rio Tietê. No final do século XIX, a área era predominantemente rural, com chácaras e sítios. A chegada da São Paulo Railway em 1867 transformou completamente a paisagem local, impulsionando a industrialização e a urbanização.

A ferrovia trouxe consigo os trabalhadores ingleses e brasileiros, que se estabeleceram nas proximidades das estações. O futebol, introduzido por Charles Miller e praticado inicialmente pelos funcionários da SPR, encontrou na Água Branca um terreno fértil para florescer. O São Paulo Railway Athletic Club (futuro Nacional) foi um dos primeiros clubes da região, e o Parque Antárctica Paulista, onde o Ruggerone mandava seus jogos, tornou-se um dos principais estádios da cidade.

Atualmente, a Água Branca é um dos bairros mais valorizados de São Paulo, abrigando equipamentos importantes como o Allianz Parque (casa do Palmeiras, sucessor do Palestra Itália), o Parque da Água Branca, a TV Cultura e o Sesc Pompeia. A região passou por intenso desenvolvimento imobiliário nas últimas décadas, mas preserva a memória dos clubes pioneiros que ali floresceram, como o Ruggerone, o São Paulo Railway e o próprio Palestra Itália.

A colônia italiana e o futebol paulista

O Ruggerone Foot-Ball Club insere-se em um contexto mais amplo: o da contribuição da colônia italiana para o futebol paulista. Os imigrantes italianos e seus descendentes desempenharam um papel crucial no desenvolvimento do esporte no estado de São Paulo. Clubes como o Palestra Itália (fundado em 1914, futuro Palmeiras), o CA Itália, o Roma FC, o Fiorentino FC, o Napoli FC, o Ruggerone FC e dezenas de outros times de bairro foram fundados por italianos, que trouxeram consigo a paixão pelo futebol e o desejo de preservar sua identidade cultural.

A comunidade italiana em São Paulo era a mais numerosa entre os imigrantes europeus. No início do século XX, bairros inteiros como o Brás, a Mooca, o Bexiga e a Água Branca eram majoritariamente habitados por italianos e seus descendentes. O futebol tornou-se um elemento central da vida comunitária, um espaço onde os imigrantes podiam celebrar sua herança cultural, falar sua língua materna e cultivar o orgulho de suas origens.

O Ruggerone FC, com seu nome em homenagem a um aviador italiano e suas cores vibrantes, era um desses clubes-embaixadores da italianidade. O clube representava não apenas o bairro da Água Branca, mas também o orgulho da pátria distante e o fascínio pela modernidade simbolizada pela aviação. A trajetória do Ruggerone, embora modesta e breve, é um capítulo dessa história maior — a história da imigração italiana e de sua contribuição para a formação da identidade paulista e brasileira.

🏭 O futebol operário e os clubes contemporâneos do Ruggerone

O Ruggerone FC não estava sozinho. A Água Branca e os bairros vizinhos (Lapa, Barra Funda, Perdizes) abrigavam dezenas de clubes amadores e de várzea que disputavam as competições da APEA e de outras ligas. Conhecer esses clubes ajuda a dimensionar o ecossistema em que o Ruggerone estava inserido:

  • São Paulo Railway Athletic Club: Fundado pelos funcionários da ferrovia inglesa, o SPR foi um dos pioneiros do futebol paulista e, em 1946, tornou-se o Nacional AC.
  • Palestra Itália: Fundado em 1914, o Palestra estreou no Campeonato Paulista em 1916, no mesmo ano que o Ruggerone, e se tornaria um dos maiores clubes do Brasil.
  • CA Paulistano da Lapa: Homônimo do tradicional Paulistano, este clube representava o bairro da Lapa e disputou as divisões de acesso da APEA.
  • AA das Palmeiras: Clube tradicional da elite paulistana, a AA das Palmeiras foi um dos adversários do Ruggerone no Campeonato Paulista de 1916.
  • Ypiranga: Fundado em 1903, o Ypiranga foi um dos clubes mais tradicionais do futebol paulista, e foi o adversário contra o qual o Ruggerone conquistou seu único ponto no Paulistão de 1916.

Esses clubes protagonizavam acirrados clássicos locais, que mobilizavam a população aos domingos. O futebol era, assim, muito mais do que um esporte: era o cimento que unia a comunidade, um espaço de sociabilidade e de construção de identidade em uma cidade que se expandia vertiginosamente.

A aviação no Brasil e o fascínio popular

Para compreender plenamente a homenagem do Ruggerone FC ao aviador Eros Ruggerone, é fundamental entender o contexto da aviação no Brasil nas primeiras décadas do século XX. A aviação era uma novidade empolgante, que despertava o fascínio e a admiração da população. Os aviadores eram vistos como heróis, desbravadores dos ares, símbolos de coragem e modernidade.

O Brasil tinha seus próprios heróis da aviação, como Alberto Santos Dumont, o "Pai da Aviação", que realizou o primeiro voo homologado de um avião mais pesado que o ar em 1906, com o 14-Bis. Outro pioneiro foi Edu Chaves, que realizou o primeiro voo entre São Paulo e o Rio de Janeiro em 1911, e posteriormente o primeiro voo entre São Paulo e Buenos Aires. Esses feitos eram acompanhados com entusiasmo pela imprensa e pela população, e os aviadores tornavam-se celebridades instantâneas.

Eros Ruggerone inseria-se nesse contexto. Embora menos conhecido que Santos Dumont ou Edu Chaves, Ruggerone era uma figura admirada pela colônia italiana de São Paulo. Seus voos de demonstração atraíam multidões e alimentavam o sonho da conquista dos ares. Batizar um clube de futebol com seu nome era uma forma de homenagear esse herói e de associar o clube aos valores que ele representava: coragem, pioneirismo e modernidade. O Ruggerone FC é, assim, um testemunho único da interseção entre duas paixões nacionais — o futebol e a aviação — no início do século XX.

O bairro da Água Branca: berço do Ruggerone

📍 Zona Oeste · São Paulo · Capital

O bairro da Água Branca está localizado na zona oeste de São Paulo, entre os distritos da Lapa e da Barra Funda. Seu nome tem origem no Ribeirão Água Branca, que cortava a região e desaguava no Rio Tietê. No final do século XIX, a área era predominantemente rural, com chácaras e sítios. A chegada da São Paulo Railway em 1867 transformou completamente a paisagem local, impulsionando a industrialização e a urbanização.

A ferrovia trouxe consigo os trabalhadores ingleses e brasileiros, que se estabeleceram nas proximidades das estações. O futebol, introduzido por Charles Miller e praticado inicialmente pelos funcionários da SPR, encontrou na Água Branca um terreno fértil para florescer. O São Paulo Railway Athletic Club (futuro Nacional) foi um dos primeiros clubes da região, e o Parque Antárctica Paulista, onde o Ruggerone mandava seus jogos, tornou-se um dos principais estádios da cidade.

Atualmente, a Água Branca é um dos bairros mais valorizados de São Paulo, abrigando equipamentos importantes como o Allianz Parque (casa do Palmeiras, sucessor do Palestra Itália), o Parque da Água Branca, a TV Cultura e o Sesc Pompeia. A região passou por intenso desenvolvimento imobiliário nas últimas décadas, mas preserva a memória dos clubes pioneiros que ali floresceram, como o Ruggerone, o São Paulo Railway e o próprio Palestra Itália.

A colônia italiana e o futebol paulista

O Ruggerone Foot-Ball Club insere-se em um contexto mais amplo: o da contribuição da colônia italiana para o futebol paulista. Os imigrantes italianos e seus descendentes desempenharam um papel crucial no desenvolvimento do esporte no estado de São Paulo. Clubes como o Palestra Itália (fundado em 1914, futuro Palmeiras), o CA Itália, o Roma FC, o Fiorentino FC, o Napoli FC, o Ruggerone FC e dezenas de outros times de bairro foram fundados por italianos, que trouxeram consigo a paixão pelo futebol e o desejo de preservar sua identidade cultural.

A comunidade italiana em São Paulo era a mais numerosa entre os imigrantes europeus. No início do século XX, bairros inteiros como o Brás, a Mooca, o Bexiga e a Água Branca eram majoritariamente habitados por italianos e seus descendentes. O futebol tornou-se um elemento central da vida comunitária, um espaço onde os imigrantes podiam celebrar sua herança cultural, falar sua língua materna e cultivar o orgulho de suas origens.

O Ruggerone FC, com seu nome em homenagem a um aviador italiano e suas cores vibrantes, era um desses clubes-embaixadores da italianidade. O clube representava não apenas o bairro da Água Branca, mas também o orgulho da pátria distante e o fascínio pela modernidade simbolizada pela aviação. A trajetória do Ruggerone, embora modesta e breve, é um capítulo dessa história maior — a história da imigração italiana e de sua contribuição para a formação da identidade paulista e brasileira.

🏭 O futebol operário e os clubes contemporâneos do Ruggerone

O Ruggerone FC não estava sozinho. A Água Branca e os bairros vizinhos (Lapa, Barra Funda, Perdizes) abrigavam dezenas de clubes amadores e de várzea que disputavam as competições da APEA e de outras ligas. Conhecer esses clubes ajuda a dimensionar o ecossistema em que o Ruggerone estava inserido:

  • São Paulo Railway Athletic Club: Fundado pelos funcionários da ferrovia inglesa, o SPR foi um dos pioneiros do futebol paulista e, em 1946, tornou-se o Nacional AC.
  • Palestra Itália: Fundado em 1914, o Palestra estreou no Campeonato Paulista em 1916, no mesmo ano que o Ruggerone, e se tornaria um dos maiores clubes do Brasil.
  • CA Paulistano da Lapa: Homônimo do tradicional Paulistano, este clube representava o bairro da Lapa e disputou as divisões de acesso da APEA.
  • AA das Palmeiras: Clube tradicional da elite paulistana, a AA das Palmeiras foi um dos adversários do Ruggerone no Campeonato Paulista de 1916.
  • Ypiranga: Fundado em 1903, o Ypiranga foi um dos clubes mais tradicionais do futebol paulista, e foi o adversário contra o qual o Ruggerone conquistou seu único ponto no Paulistão de 1916.

Esses clubes protagonizavam acirrados clássicos locais, que mobilizavam a população aos domingos. O futebol era, assim, muito mais do que um esporte: era o cimento que unia a comunidade, um espaço de sociabilidade e de construção de identidade em uma cidade que se expandia vertiginosamente.

A aviação no Brasil e o fascínio popular

Para compreender plenamente a homenagem do Ruggerone FC ao aviador Eros Ruggerone, é fundamental entender o contexto da aviação no Brasil nas primeiras décadas do século XX. A aviação era uma novidade empolgante, que despertava o fascínio e a admiração da população. Os aviadores eram vistos como heróis, desbravadores dos ares, símbolos de coragem e modernidade.

O Brasil tinha seus próprios heróis da aviação, como Alberto Santos Dumont, o "Pai da Aviação", que realizou o primeiro voo homologado de um avião mais pesado que o ar em 1906, com o 14-Bis. Outro pioneiro foi Edu Chaves, que realizou o primeiro voo entre São Paulo e o Rio de Janeiro em 1911, e posteriormente o primeiro voo entre São Paulo e Buenos Aires. Esses feitos eram acompanhados com entusiasmo pela imprensa e pela população, e os aviadores tornavam-se celebridades instantâneas.

Eros Ruggerone inseria-se nesse contexto. Embora menos conhecido que Santos Dumont ou Edu Chaves, Ruggerone era uma figura admirada pela colônia italiana de São Paulo. Seus voos de demonstração atraíam multidões e alimentavam o sonho da conquista dos ares. Batizar um clube de futebol com seu nome era uma forma de homenagear esse herói e de associar o clube aos valores que ele representava: coragem, pioneirismo e modernidade. O Ruggerone FC é, assim, um testemunho único da interseção entre duas paixões nacionais — o futebol e a aviação — no início do século XX.

Simulação do Uniforme Alaranjado (1916)

Camisa: listras verticais laranjas e amarelas
Calção: laranja | Meias: amarelas
(Reconstituição baseada nas cores oficiais do clube: laranja e amarelo)

Galeria do Escudo Histórico

Escudo Ruggerone FC
Ruggerone Foot-Ball Club (1915–1916) — Escudo oficial

O distintivo foi preservado graças ao trabalho de Michael Serra e integra o acervo da Enciclopédia do Futebol Paulista.

Epílogo: o legado do Ruggerone FC

O Ruggerone Foot-Ball Club teve uma existência breve — apenas um ano de atividades oficiais —, mas seu legado é singular e fascinante. Fundado em 1915 por imigrantes italianos em homenagem ao aviador Eros Ruggerone, o clube disputou o Campeonato Paulista de 1916, enfrentando gigantes como Corinthians, Paulistano e Palestra Itália. Suas cores vibrantes — laranja e amarelo — e seu nome inspirado em um herói da aviação fazem do Ruggerone um caso único na história do futebol brasileiro.

A campanha no Paulistão de 1916 foi modesta, com o clube terminando na última colocação, mas o simples fato de ter participado da elite do futebol paulista já representa um feito notável para uma agremiação recém-fundada e formada por imigrantes. O Ruggerone enfrentou de igual para igual os gigantes da época, conquistou um ponto heroico contra o Ypiranga e deixou sua marca na história do futebol paulista.

A extinção precoce do clube, logo após o término do campeonato de 1916, reflete as dificuldades enfrentadas pelos pequenos clubes de colônia na época. A concorrência com clubes mais estruturados, como o Palestra Itália, e a falta de recursos financeiros selaram o destino do Ruggerone. No entanto, sua memória resiste nos acervos de historiadores como Michael Serra, que preservou o escudo alaranjado e amarelo do clube na obra 125 Anos de História – A Enciclopédia do Futebol Paulista.

Hoje, o Ruggerone FC é lembrado como uma curiosidade histórica — o "clube do aviador", com suas cores incomuns e sua trajetória efêmera. Mas seu legado vai além da curiosidade: o clube é um testemunho da contribuição da colônia italiana para o futebol brasileiro, do fascínio popular pela aviação nas primeiras décadas do século XX e da efervescência do futebol de várzea paulistano. O alaranjado da Água Branca pode ter desaparecido dos gramados, mas sua história permanece como um capítulo fascinante da rica tapeçaria do futebol paulista.

📝 Resumo Final

O Ruggerone Foot-Ball Club foi fundado em 1915 no bairro da Água Branca, em São Paulo, por imigrantes italianos. Seu nome homenageava o aviador italiano Eros Ruggerone. As cores oficiais do clube eram o laranja e o amarelo. O Ruggerone disputou o Campeonato Paulista de 1916, terminando na 7ª e última colocação, com 1 ponto em 8 jogos (1 empate e 7 derrotas). O clube mandava seus jogos no Parque Antárctica Paulista. Foi extinto logo após o término do campeonato de 1916. Segundo o Almanaque do Futebol Paulista, disputou 4 competições oficiais ao todo. Seu escudo foi preservado por Michael Serra e figura na obra "125 Anos de História – A Enciclopédia do Futebol Paulista".

Bibliografia e Fontes Consultadas

📌 Esta enciclopédia foi elaborada com base em fontes verificadas e vasta pesquisa online, respeitando as cores originais do clube (laranja e amarelo). O Ruggerone Foot-Ball Club, mesmo efêmero, é um capítulo fascinante da história do futebol paulista e um testemunho da contribuição da colônia italiana para o esporte no Brasil.

Enciclopédia do Futebol Brasileiro · Compilado em 2025 · Conteúdo para fins de preservação histórica.
🟠🟡 As cores do Ruggerone FC são laranja (#e67e22) e amarelo (#f1c40f).
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