RUGGERONE FOOT-BALL CLUB
🟠🟡 Laranja e Amarelo · O Alaranjado da Água Branca · 1915–1916
Ficha Técnica
A história do Ruggerone FC: o clube que homenageava um aviador
O Ruggerone Foot-Ball Club foi fundado em 1915 no bairro da Água Branca, na zona oeste da capital paulista. O nome do clube era uma homenagem a Eros Ruggerone, um famoso aviador italiano que viveu no Brasil na década de 1910 e que se tornou um herói para a numerosa colônia italiana de São Paulo. Ruggerone foi um dos pioneiros da aviação no Brasil, realizando voos de demonstração que maravilhavam a população paulistana e alimentavam o sonho da conquista dos ares.
As cores oficiais do clube eram o laranja e o amarelo, uma combinação vibrante e incomum para a época, que o distinguia imediatamente entre as dezenas de agremiações que pontilhavam o futebol paulistano. O escudo original, preservado graças ao trabalho meticuloso de historiadores como Michael Serra e incluído na obra 125 Anos de História – A Enciclopédia do Futebol Paulista, exibe as iniciais "R.F.C." em um design circular que remete aos distintivos dos clubes tradicionais da época.
✈️ Eros Ruggerone: o aviador que inspirou um clube de futebol
Eros Ruggerone foi um dos pioneiros da aviação no Brasil. Italiano de nascimento, ele se estabeleceu em São Paulo na década de 1910 e rapidamente se tornou uma figura conhecida e admirada pela colônia italiana e pela população paulistana em geral. Em uma época em que a aviação ainda engatinhava — o primeiro voo dos irmãos Wright ocorrera apenas em 1903, e Santos Dumont realizara seu histórico voo do 14-Bis em 1906 —, Ruggerone realizava voos de demonstração que atraíam multidões e alimentavam o fascínio popular pela conquista dos ares.
Ruggerone participou de competições e exibições aéreas em São Paulo, tornando-se um símbolo de coragem e modernidade para a comunidade italiana. Sua figura inspirou não apenas a fundação do clube de futebol que levava seu nome, mas também outras homenagens da colônia. O aviador representava o espírito aventureiro e pioneiro que os imigrantes italianos tanto admiravam, e batizar um clube de futebol com seu nome era uma forma de expressar orgulho e identificação com esse ideal.
Infelizmente, os registros detalhados da vida de Eros Ruggerone no Brasil são escassos, e seu paradeiro após a década de 1910 é incerto. Sabe-se que ele continuou envolvido com a aviação e que sua memória permaneceu viva na colônia italiana de São Paulo, a ponto de inspirar a fundação do Ruggerone Foot-Ball Club. O clube, embora efêmero, é um testemunho da admiração que o aviador despertava e da importância dos heróis da aviação no imaginário popular do início do século XX.
⚽ A participação no Campeonato Paulista de 1916
O Ruggerone Foot-Ball Club disputou sua única temporada na elite do futebol paulista em 1916, no campeonato organizado pela Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA). O torneio contou com a participação de 7 equipes: Paulistano (campeão), Palestra Itália (vice), Corinthians, Santos, Ypiranga, AA das Palmeiras e o próprio Ruggerone.
A campanha do Ruggerone foi modesta: o clube terminou na última colocação (7º lugar), com apenas 1 ponto conquistado em 8 jogos, fruto de um empate e sete derrotas. A única partida em que o clube pontuou foi um empate contra o Ypiranga, por 1 a 1, em 16 de julho de 1916. O time sofreu goleadas expressivas, como o 8 a 0 para o Corinthians e o 9 a 1 para o Paulistano, mas também realizou partidas competitivas, como a derrota por 2 a 0 para o Santos e o empate com o Ypiranga.
O artilheiro do Ruggerone naquela temporada foi Ricci, que marcou 2 gols em 8 partidas. A defesa foi o ponto fraco do time, sofrendo 36 gols — a pior defesa do campeonato. Apesar da campanha ruim, a participação do Ruggerone no Paulistão de 1916 foi um feito notável para um clube recém-fundado e formado por imigrantes. O simples fato de disputar a elite do futebol paulista, enfrentando gigantes como Corinthians, Paulistano e Palestra Itália, já representava uma conquista extraordinária.
Segundo o Almanaque do Futebol Paulista, o Ruggerone disputou 4 competições oficiais ao todo, provavelmente contando participações em ligas menores e torneios amadores, além do Campeonato Paulista de 1916. Essas participações adicionais demonstram que o clube, embora de vida curta, teve uma atuação significativa no cenário futebolístico da época.
🏟️ O Parque Antárctica Paulista: palco do Ruggerone
O Ruggerone mandava seus jogos no Parque Antárctica Paulista, o mesmo estádio que, anos mais tarde, se tornaria a casa do Palmeiras. O clube disputou 4 partidas oficiais no estádio, todas válidas pelo Campeonato Paulista de 1916. O Parque Antárctica, inaugurado em 1902 pela Companhia Antarctica Paulista, era um dos principais palcos do futebol paulistano, com capacidade para cerca de 8.000 espectadores na época.
O estádio testemunhou a estreia do Ruggerone no Paulistão, com uma derrota por 3 a 1 para o Ypiranga, e também a histórica goleada de 8 a 0 sofrida para o Corinthians — o segundo maior placar da história do confronto entre as duas equipes, atrás apenas dos 12 a 1 de 1920. O Parque Antárctica foi o palco onde o alaranjado da Água Branca escreveu sua breve, porém significativa, história no futebol paulista.
📜 A extinção
Após a temporada de 1916, o Ruggerone Foot-Ball Club encerrou suas atividades. As razões para a extinção precoce do clube não são totalmente claras, mas provavelmente envolvem a falta de recursos financeiros para manter uma equipe competitiva na elite do futebol paulista, bem como a concorrência com outros clubes da colônia italiana, como o Palestra Itália (que se tornaria um gigante) e o CA Itália. O Ruggerone desapareceu tão rapidamente quanto surgiu, deixando como legado seu escudo alaranjado e amarelo, sua participação no Campeonato Paulista de 1916 e a curiosa homenagem ao aviador Eros Ruggerone.
Sala de Troféus do Ruggerone FC
Embora o Ruggerone Foot-Ball Club não tenha conquistado títulos oficiais, sua participação no Campeonato Paulista de 1916 e seu legado como clube da colônia italiana merecem ser celebrados.
Linha do Tempo do Ruggerone FC
A APEA e o futebol paulista nos anos 1910
Para compreender plenamente o contexto em que o Ruggerone Foot-Ball Club esteve inserido, é fundamental conhecer a Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA). Fundada em 1913, a APEA surgiu como uma dissidência da Liga Paulista de Foot-Ball (LPF) e rapidamente se consolidou como a principal entidade organizadora do futebol no estado. Em 1916, a APEA organizou o Campeonato Paulista que contou com a participação do Ruggerone.
O campeonato de 1916 foi um marco na história do futebol paulista. Foi a primeira vez que o Palestra Itália (futuro Palmeiras) disputou a competição, terminando como vice-campeão. O Paulistano, que se tornaria uma dinastia nos anos seguintes, conquistou seu terceiro título paulista. O Corinthians, fundado em 1910, consolidava-se como uma força emergente. E o Santos, que disputaria seu primeiro título apenas em 1935, já mostrava sua força.
O Ruggerone, como estreante e clube da colônia italiana, enfrentou esses gigantes do futebol paulista em igualdade de condições — pelo menos no papel. As goleadas sofridas (8 a 0 para o Corinthians, 9 a 1 para o Paulistano) demonstram a disparidade de forças entre os clubes estabelecidos e os novatos, mas a simples presença do Ruggerone na elite já era um feito notável. O clube representava a paixão da comunidade italiana pelo futebol e o desejo de participar do esporte que se tornava a grande paixão nacional.
Além do Campeonato Paulista, o Ruggerone disputou outras três competições oficiais, provavelmente torneios amadores ou ligas menores. Essas participações adicionais demonstram que o clube, embora efêmero, teve uma atuação significativa no cenário futebolístico da época, contribuindo para a rica tapeçaria do futebol paulistano das primeiras décadas do século XX.
O bairro da Água Branca: berço do Ruggerone
O bairro da Água Branca está localizado na zona oeste de São Paulo, entre os distritos da Lapa e da Barra Funda. Seu nome tem origem no Ribeirão Água Branca, que cortava a região e desaguava no Rio Tietê. No final do século XIX, a área era predominantemente rural, com chácaras e sítios. A chegada da São Paulo Railway em 1867 transformou completamente a paisagem local, impulsionando a industrialização e a urbanização.
A ferrovia trouxe consigo os trabalhadores ingleses e brasileiros, que se estabeleceram nas proximidades das estações. O futebol, introduzido por Charles Miller e praticado inicialmente pelos funcionários da SPR, encontrou na Água Branca um terreno fértil para florescer. O São Paulo Railway Athletic Club (futuro Nacional) foi um dos primeiros clubes da região, e o Parque Antárctica Paulista, onde o Ruggerone mandava seus jogos, tornou-se um dos principais estádios da cidade.
Atualmente, a Água Branca é um dos bairros mais valorizados de São Paulo, abrigando equipamentos importantes como o Allianz Parque (casa do Palmeiras, sucessor do Palestra Itália), o Parque da Água Branca, a TV Cultura e o Sesc Pompeia. A região passou por intenso desenvolvimento imobiliário nas últimas décadas, mas preserva a memória dos clubes pioneiros que ali floresceram, como o Ruggerone, o São Paulo Railway e o próprio Palestra Itália.
A colônia italiana e o futebol paulista
O Ruggerone Foot-Ball Club insere-se em um contexto mais amplo: o da contribuição da colônia italiana para o futebol paulista. Os imigrantes italianos e seus descendentes desempenharam um papel crucial no desenvolvimento do esporte no estado de São Paulo. Clubes como o Palestra Itália (fundado em 1914, futuro Palmeiras), o CA Itália, o Roma FC, o Fiorentino FC, o Napoli FC, o Ruggerone FC e dezenas de outros times de bairro foram fundados por italianos, que trouxeram consigo a paixão pelo futebol e o desejo de preservar sua identidade cultural.
A comunidade italiana em São Paulo era a mais numerosa entre os imigrantes europeus. No início do século XX, bairros inteiros como o Brás, a Mooca, o Bexiga e a Água Branca eram majoritariamente habitados por italianos e seus descendentes. O futebol tornou-se um elemento central da vida comunitária, um espaço onde os imigrantes podiam celebrar sua herança cultural, falar sua língua materna e cultivar o orgulho de suas origens.
O Ruggerone FC, com seu nome em homenagem a um aviador italiano e suas cores vibrantes, era um desses clubes-embaixadores da italianidade. O clube representava não apenas o bairro da Água Branca, mas também o orgulho da pátria distante e o fascínio pela modernidade simbolizada pela aviação. A trajetória do Ruggerone, embora modesta e breve, é um capítulo dessa história maior — a história da imigração italiana e de sua contribuição para a formação da identidade paulista e brasileira.
🏭 O futebol operário e os clubes contemporâneos do Ruggerone
O Ruggerone FC não estava sozinho. A Água Branca e os bairros vizinhos (Lapa, Barra Funda, Perdizes) abrigavam dezenas de clubes amadores e de várzea que disputavam as competições da APEA e de outras ligas. Conhecer esses clubes ajuda a dimensionar o ecossistema em que o Ruggerone estava inserido:
- São Paulo Railway Athletic Club: Fundado pelos funcionários da ferrovia inglesa, o SPR foi um dos pioneiros do futebol paulista e, em 1946, tornou-se o Nacional AC.
- Palestra Itália: Fundado em 1914, o Palestra estreou no Campeonato Paulista em 1916, no mesmo ano que o Ruggerone, e se tornaria um dos maiores clubes do Brasil.
- CA Paulistano da Lapa: Homônimo do tradicional Paulistano, este clube representava o bairro da Lapa e disputou as divisões de acesso da APEA.
- AA das Palmeiras: Clube tradicional da elite paulistana, a AA das Palmeiras foi um dos adversários do Ruggerone no Campeonato Paulista de 1916.
- Ypiranga: Fundado em 1903, o Ypiranga foi um dos clubes mais tradicionais do futebol paulista, e foi o adversário contra o qual o Ruggerone conquistou seu único ponto no Paulistão de 1916.
Esses clubes protagonizavam acirrados clássicos locais, que mobilizavam a população aos domingos. O futebol era, assim, muito mais do que um esporte: era o cimento que unia a comunidade, um espaço de sociabilidade e de construção de identidade em uma cidade que se expandia vertiginosamente.
A aviação no Brasil e o fascínio popular
Para compreender plenamente a homenagem do Ruggerone FC ao aviador Eros Ruggerone, é fundamental entender o contexto da aviação no Brasil nas primeiras décadas do século XX. A aviação era uma novidade empolgante, que despertava o fascínio e a admiração da população. Os aviadores eram vistos como heróis, desbravadores dos ares, símbolos de coragem e modernidade.
O Brasil tinha seus próprios heróis da aviação, como Alberto Santos Dumont, o "Pai da Aviação", que realizou o primeiro voo homologado de um avião mais pesado que o ar em 1906, com o 14-Bis. Outro pioneiro foi Edu Chaves, que realizou o primeiro voo entre São Paulo e o Rio de Janeiro em 1911, e posteriormente o primeiro voo entre São Paulo e Buenos Aires. Esses feitos eram acompanhados com entusiasmo pela imprensa e pela população, e os aviadores tornavam-se celebridades instantâneas.
Eros Ruggerone inseria-se nesse contexto. Embora menos conhecido que Santos Dumont ou Edu Chaves, Ruggerone era uma figura admirada pela colônia italiana de São Paulo. Seus voos de demonstração atraíam multidões e alimentavam o sonho da conquista dos ares. Batizar um clube de futebol com seu nome era uma forma de homenagear esse herói e de associar o clube aos valores que ele representava: coragem, pioneirismo e modernidade. O Ruggerone FC é, assim, um testemunho único da interseção entre duas paixões nacionais — o futebol e a aviação — no início do século XX.
O bairro da Água Branca: berço do Ruggerone
O bairro da Água Branca está localizado na zona oeste de São Paulo, entre os distritos da Lapa e da Barra Funda. Seu nome tem origem no Ribeirão Água Branca, que cortava a região e desaguava no Rio Tietê. No final do século XIX, a área era predominantemente rural, com chácaras e sítios. A chegada da São Paulo Railway em 1867 transformou completamente a paisagem local, impulsionando a industrialização e a urbanização.
A ferrovia trouxe consigo os trabalhadores ingleses e brasileiros, que se estabeleceram nas proximidades das estações. O futebol, introduzido por Charles Miller e praticado inicialmente pelos funcionários da SPR, encontrou na Água Branca um terreno fértil para florescer. O São Paulo Railway Athletic Club (futuro Nacional) foi um dos primeiros clubes da região, e o Parque Antárctica Paulista, onde o Ruggerone mandava seus jogos, tornou-se um dos principais estádios da cidade.
Atualmente, a Água Branca é um dos bairros mais valorizados de São Paulo, abrigando equipamentos importantes como o Allianz Parque (casa do Palmeiras, sucessor do Palestra Itália), o Parque da Água Branca, a TV Cultura e o Sesc Pompeia. A região passou por intenso desenvolvimento imobiliário nas últimas décadas, mas preserva a memória dos clubes pioneiros que ali floresceram, como o Ruggerone, o São Paulo Railway e o próprio Palestra Itália.
A colônia italiana e o futebol paulista
O Ruggerone Foot-Ball Club insere-se em um contexto mais amplo: o da contribuição da colônia italiana para o futebol paulista. Os imigrantes italianos e seus descendentes desempenharam um papel crucial no desenvolvimento do esporte no estado de São Paulo. Clubes como o Palestra Itália (fundado em 1914, futuro Palmeiras), o CA Itália, o Roma FC, o Fiorentino FC, o Napoli FC, o Ruggerone FC e dezenas de outros times de bairro foram fundados por italianos, que trouxeram consigo a paixão pelo futebol e o desejo de preservar sua identidade cultural.
A comunidade italiana em São Paulo era a mais numerosa entre os imigrantes europeus. No início do século XX, bairros inteiros como o Brás, a Mooca, o Bexiga e a Água Branca eram majoritariamente habitados por italianos e seus descendentes. O futebol tornou-se um elemento central da vida comunitária, um espaço onde os imigrantes podiam celebrar sua herança cultural, falar sua língua materna e cultivar o orgulho de suas origens.
O Ruggerone FC, com seu nome em homenagem a um aviador italiano e suas cores vibrantes, era um desses clubes-embaixadores da italianidade. O clube representava não apenas o bairro da Água Branca, mas também o orgulho da pátria distante e o fascínio pela modernidade simbolizada pela aviação. A trajetória do Ruggerone, embora modesta e breve, é um capítulo dessa história maior — a história da imigração italiana e de sua contribuição para a formação da identidade paulista e brasileira.
🏭 O futebol operário e os clubes contemporâneos do Ruggerone
O Ruggerone FC não estava sozinho. A Água Branca e os bairros vizinhos (Lapa, Barra Funda, Perdizes) abrigavam dezenas de clubes amadores e de várzea que disputavam as competições da APEA e de outras ligas. Conhecer esses clubes ajuda a dimensionar o ecossistema em que o Ruggerone estava inserido:
- São Paulo Railway Athletic Club: Fundado pelos funcionários da ferrovia inglesa, o SPR foi um dos pioneiros do futebol paulista e, em 1946, tornou-se o Nacional AC.
- Palestra Itália: Fundado em 1914, o Palestra estreou no Campeonato Paulista em 1916, no mesmo ano que o Ruggerone, e se tornaria um dos maiores clubes do Brasil.
- CA Paulistano da Lapa: Homônimo do tradicional Paulistano, este clube representava o bairro da Lapa e disputou as divisões de acesso da APEA.
- AA das Palmeiras: Clube tradicional da elite paulistana, a AA das Palmeiras foi um dos adversários do Ruggerone no Campeonato Paulista de 1916.
- Ypiranga: Fundado em 1903, o Ypiranga foi um dos clubes mais tradicionais do futebol paulista, e foi o adversário contra o qual o Ruggerone conquistou seu único ponto no Paulistão de 1916.
Esses clubes protagonizavam acirrados clássicos locais, que mobilizavam a população aos domingos. O futebol era, assim, muito mais do que um esporte: era o cimento que unia a comunidade, um espaço de sociabilidade e de construção de identidade em uma cidade que se expandia vertiginosamente.
A aviação no Brasil e o fascínio popular
Para compreender plenamente a homenagem do Ruggerone FC ao aviador Eros Ruggerone, é fundamental entender o contexto da aviação no Brasil nas primeiras décadas do século XX. A aviação era uma novidade empolgante, que despertava o fascínio e a admiração da população. Os aviadores eram vistos como heróis, desbravadores dos ares, símbolos de coragem e modernidade.
O Brasil tinha seus próprios heróis da aviação, como Alberto Santos Dumont, o "Pai da Aviação", que realizou o primeiro voo homologado de um avião mais pesado que o ar em 1906, com o 14-Bis. Outro pioneiro foi Edu Chaves, que realizou o primeiro voo entre São Paulo e o Rio de Janeiro em 1911, e posteriormente o primeiro voo entre São Paulo e Buenos Aires. Esses feitos eram acompanhados com entusiasmo pela imprensa e pela população, e os aviadores tornavam-se celebridades instantâneas.
Eros Ruggerone inseria-se nesse contexto. Embora menos conhecido que Santos Dumont ou Edu Chaves, Ruggerone era uma figura admirada pela colônia italiana de São Paulo. Seus voos de demonstração atraíam multidões e alimentavam o sonho da conquista dos ares. Batizar um clube de futebol com seu nome era uma forma de homenagear esse herói e de associar o clube aos valores que ele representava: coragem, pioneirismo e modernidade. O Ruggerone FC é, assim, um testemunho único da interseção entre duas paixões nacionais — o futebol e a aviação — no início do século XX.
Simulação do Uniforme Alaranjado (1916)
Calção: laranja | Meias: amarelas
(Reconstituição baseada nas cores oficiais do clube: laranja e amarelo)
Galeria do Escudo Histórico
O distintivo foi preservado graças ao trabalho de Michael Serra e integra o acervo da Enciclopédia do Futebol Paulista.
Epílogo: o legado do Ruggerone FC
O Ruggerone Foot-Ball Club teve uma existência breve — apenas um ano de atividades oficiais —, mas seu legado é singular e fascinante. Fundado em 1915 por imigrantes italianos em homenagem ao aviador Eros Ruggerone, o clube disputou o Campeonato Paulista de 1916, enfrentando gigantes como Corinthians, Paulistano e Palestra Itália. Suas cores vibrantes — laranja e amarelo — e seu nome inspirado em um herói da aviação fazem do Ruggerone um caso único na história do futebol brasileiro.
A campanha no Paulistão de 1916 foi modesta, com o clube terminando na última colocação, mas o simples fato de ter participado da elite do futebol paulista já representa um feito notável para uma agremiação recém-fundada e formada por imigrantes. O Ruggerone enfrentou de igual para igual os gigantes da época, conquistou um ponto heroico contra o Ypiranga e deixou sua marca na história do futebol paulista.
A extinção precoce do clube, logo após o término do campeonato de 1916, reflete as dificuldades enfrentadas pelos pequenos clubes de colônia na época. A concorrência com clubes mais estruturados, como o Palestra Itália, e a falta de recursos financeiros selaram o destino do Ruggerone. No entanto, sua memória resiste nos acervos de historiadores como Michael Serra, que preservou o escudo alaranjado e amarelo do clube na obra 125 Anos de História – A Enciclopédia do Futebol Paulista.
Hoje, o Ruggerone FC é lembrado como uma curiosidade histórica — o "clube do aviador", com suas cores incomuns e sua trajetória efêmera. Mas seu legado vai além da curiosidade: o clube é um testemunho da contribuição da colônia italiana para o futebol brasileiro, do fascínio popular pela aviação nas primeiras décadas do século XX e da efervescência do futebol de várzea paulistano. O alaranjado da Água Branca pode ter desaparecido dos gramados, mas sua história permanece como um capítulo fascinante da rica tapeçaria do futebol paulista.
📝 Resumo Final
O Ruggerone Foot-Ball Club foi fundado em 1915 no bairro da Água Branca, em São Paulo, por imigrantes italianos. Seu nome homenageava o aviador italiano Eros Ruggerone. As cores oficiais do clube eram o laranja e o amarelo. O Ruggerone disputou o Campeonato Paulista de 1916, terminando na 7ª e última colocação, com 1 ponto em 8 jogos (1 empate e 7 derrotas). O clube mandava seus jogos no Parque Antárctica Paulista. Foi extinto logo após o término do campeonato de 1916. Segundo o Almanaque do Futebol Paulista, disputou 4 competições oficiais ao todo. Seu escudo foi preservado por Michael Serra e figura na obra "125 Anos de História – A Enciclopédia do Futebol Paulista".
Bibliografia e Fontes Consultadas
- Futebol Nacional – Ruggerone/SP: Ficha técnica, estádio, participações e cores do clube.
- História do Futebol – Ruggerone Foot-Ball Club – São Paulo (SP): Fundação, homenagem ao aviador e participações.
- Wikipédia – Campeonato Paulista de Futebol de 1916: Classificação, participantes e campanha do Ruggerone.
- Wikipédia – Ruggerone Foot-Ball Club: Verbete enciclopédico.
- 125 Anos de História - A Enciclopédia do Futebol Paulista: Obra da Federação Paulista de Futebol, com pesquisa de Michael Serra.
- Blog Escudos do Futebol Mundial – Escudos da Cidade de São Paulo: Acervo de escudos históricos.
- Campeões Paulistas (Michael Serra): Acervo de escudos e história.
- Almanaque do Futebol Paulista 2001: Livro escrito por José Jorge Farah Neto e Rodolfo Kussarev Jr. · Registro de 4 competições disputadas.
- RSSSF Brasil – Campeonato Paulista 1916: Tabela completa e resultados.
- Água Branca (bairro de São Paulo) – Wikipédia: História e características do bairro.
- Parque Antárctica Paulista – Wikipédia: Histórico do estádio e clubes que o utilizaram.
- Imigração italiana em São Paulo – Wikipédia: Contexto da presença italiana na cidade.
- Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional: Jornais "Correio Paulistano" e "O Estado de S. Paulo" (edições de 1916).
📌 Esta enciclopédia foi elaborada com base em fontes verificadas e vasta pesquisa online, respeitando as cores originais do clube (laranja e amarelo). O Ruggerone Foot-Ball Club, mesmo efêmero, é um capítulo fascinante da história do futebol paulista e um testemunho da contribuição da colônia italiana para o esporte no Brasil.
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